domingo, 21 de agosto de 2011

Músicas da Semana

Levem ao pé da letra o titulo. Achei algumas músicas com dias da semana, e (já que eu não posto nada há um século) resolvi compartilhar.

Comecemos pelo Domingo:

Gloomy Sunday, Emilie Autumn

Tá, é cover. Mas eu conheci esta música por ela, então fica. Pra compensar ...

Bloody Sunday, U2



Segunda: Alchemy Mondays, Voltaire


Esse cara deve ser a ÚNICA criatura nesse mundo que gosta de segunda-feira. Mas ninguém é perfeito.

Terça: Ruby Tuesday, Rolling Stones


Viva a liberdade e ao Carpe Diem.

Quarta: A Wednesday in Your Garden, The Guess Who


Uma pisada de vez em quando não mata e foi o primeiro que eu achei.

Quinta: Thursday, Morphine.


Concordo com ele, deveria ter ficado só na quinta, no barzinho. Mas nãão...

Sexta: Como todo mundo ama Sexta-feira.... 


MUAHAHAHAHA!! Desculpem-me, posto mais uma pra compensar.

Friday Night, Lily Allen. 


Quem nunca aprontou em uma sexta-feira? \o

Sábado: Saturday Morning, Eels


O retrato da minha cidade. Totalmente morta.

Espero que gostem das músicas (hehe), e darei sinal de vida assim que der.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Solidão - Capítulo I


            Esse é o primeiro capítulo de uma história que estou escrevendo a um tempinho...
            Espero que gostem! Porque depois vem mais...
Numa rua pacata, um garoto sem pai nem mãe comia jujubas coloridas. As azuis eram suas prediletas. Deitado e próximo a um muro de blocos vermelhos, com os braços esticados para cima soltava as guloseimas uma a uma, com um movimento preguiçoso. Elas, por sua vez, não tinham escapatória: caíam diretamente em sua boca.
Adorava sentir o aroma das calçadas imundas com papéis de todos os tipos jogados no chão, lama e poças de água nos buracos cimentados após a garoa matinal da cidade. Pessoas sonolentas que iam para seus respectivos destinos, desejando ou não estar em meio às entranhas de edredons, bocejos e espirros cercavam o ar de sete e pouco de uma manhã de domingo. Porém, logo percebera que o último doce cor de céu estava em suas mãos. Admirou-o com os olhos cheios de pesar. Analisou os cristais de açúcar, o brilho opaco e o formato do doce. E numa bocada apenas engoliu-o. Fechou o pequeno pacote de papel com as balas das cores restantes e guardou no bolso de sua mochila, seu pequeno tesouro.
Levantou, tirou as pequenas impurezas coladas em sua roupa desbotada e foi em direção a um pequeno beco mal iluminado. Escondeu a pequena bolsa numa brecha entre uma lata de lixo e cobriu-a com um saco plástico. Olhou para os dois lados e deu um suspiro de alívio. Ninguém o vira.
Seus cabelos acobreados e sujos, com fios desgrenhados que cobriam sua nuca numa cascata retilínea entraram em movimento assim que a criança solitária começara a correr em direção a lugar nenhum. Ultrapassara um, dois, três quarteirões e avistara algo que lhe despertou desespero capaz de causar intensos calafrios. A roupa úmida incomodava a ponto de ser arrancada pelo menino, que se sentia ainda mais atormentado. Agonia e mal estar colonizavam seu corpo como um exército de mil homens a uma aldeia de camponeses.
Com um movimento brusco e harmonioso, apoiou-se no chão com as mãos. Lágrimas escorriam aos poucos em seu rosto acinzentado, veias pulsavam de forma a saltarem do corpo. Seu corpo mudava, adquirindo formas delicadas e sinuosas, onde o corpo pardo fez-se de um reflexo de juventude à beleza misteriosa que há num felino.
O instinto animal tomou sua mente por completo e o fez correr em disparada, abandonando suas vestes, agora largas, na direção oposta, e seguiu rumo ao pequeno beco onde havia deixado seus pertences.

Correra o mais rápido que pudera durante algumas horas, chegando a uma área desconhecida, uma selva a ser explorada. Os olhos amendoados, alçando um tom avermelhado, percorreram jardins floridos, garagens, casas abandonadas, sobrados analisando-os meticulosamente, procurando sinais da presença daquilo que evitava.
 Uma diversidade incrível de pessoas de etnias e gostos diferentes. Brancos, mulatos, negros, pardos, católicos, góticos, punks, crianças e idosos percorriam o mesmo caminho. Carros pequenos, esquisitos, verdes, variáveis. Um mundo apenas num piscar de olhos. Um lugar que não precisava dele para existir, onde o desconhecido cercava-o por todos os lados. 
Esquecera-se de seus medos e de suas jujubas para viver uma aventura.
Cada passo que dava o distanciava do beco que considerava “lar”: onde Dona Filomena, senhorinha simpática que lhe oferecia guloseimas assim que comesse o almoço com arroz, feijão, carne, verduras e legumes (que detestava como qualquer garoto de 10 anos); onde dormia e escondia seus pertences; onde sofria constantes humilhações de pessoas que não tem valores; ficara ensopado graças às chuvas, e adversidades do gênero... Distanciava-o de todas as recordações que ainda tinha.
Porém, nenhuma delas foi capaz de fazê-lo permanecer naquele lugar monótono. A final de contas, a infância é irmã da curiosidade: ambas crescem conosco. Agora almejava encontrar novas experiências, que lhe proporcionassem novas lembranças.
Do ar cheio de umidade e da vizinhança tranquila, o pequeno gato aventurou-se a explorar o novo ambiente que descobrira. Ao meio-dia, cercado de casas, carros e pessoas, o caos predominava, tornando a jornada de descobertas ainda mais instigante. Caminhou em ruas, esquinas, becos, subiu em telhados, escadas e janelas durante horas, maravilhado com tantas cores e objetos. E assim o tempo foi correndo na velocidade de um pássaro planando numa corrente de ar. Então, a fome, que se mantinha a espreita de sua mente, domara-lhe.
Padarias, açougues, mercados, lanchonetes esbanjavam a fartura que o pequeno nunca tivera. Ao menos se estivesse em sua outra forma e com roupas poderia pedir comida ou algumas moedas. Entretanto, se voltasse a sua forma habitual, sua nudez chamaria a atenção de todos, deixando-o constrangido. Mesmo ciente de que algumas pessoas poderiam ajudá-lo após ver sua situação deprimente, sentir-se-ia furioso por trazer-lhe sensações de lembranças que não se lembra.
Já não suportando ficar em pé e com a fome corroendo suas víceras, sentou-se em frente a um restaurante e apreciou a carne ser assada em uma espécie de churrasqueira giratória. Aproximou-se da máquina, e com alguns saltos tentou alcançar algum pedaço que lhe satisfaze-se. Distraído com o jogo de pegar, não percebera um senhor robusto e de cabelos brancos aproximar-se. O homem pegou o pano que amarrara na cintura, enrolou-o e bateu no pobre animal, que choramingando de dor abandonou o pedaço de carne que conquistou antes de ser expulso. E como nômade, percorrera vários lugares em busca da solidariedade alheia.
Passo a passo, desviava-se de passos desiquilibrados, sapatos de couro, saltos vermelhos, tênis e diversos. E assim uma grande tristeza e cansaço abateram-no.
A multidão passava e nenhuma prontidão para com o pequeno gato surgiu. O cansaço venceu-o que logo desmaiou sem resistências. Dos pequenos olhos semicerrados, gotas salgadas transbordavam. A solidão lhe trouxe o desamparo e a liberdade.

domingo, 14 de agosto de 2011

Dia dos Pais

Tá, não teve post comemorativo de Dia das Mães (falha minha). Mas eu fiz um desenho de presente para meu pai, e aproveitei para postar aqui.

Até que tá bonitinho.

Bem, este foi o post do Dia dos Pais. Ah, mandem um "Feliz Aniversário" pra Gabi nos comentários.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Relicário



                 - Feliz aniversário, querida!
                 - Muito obrigada, mãe! – Ambas se abraçam. – Mas eu gostaria de completar 18 anos ao invés de 10. É tão chato ser criança...
                A progenitora olhou nos olhos da aniversariante com fixação hipnotizante. Era possível notar o pequeno degradé de cores nas íris castanhas dessas mulheres.
                - Viva a sua vida sem preocupar-se muito com o amanhã. O destino de todos é envelhecer e morrer.  – disse a filha.
                Pelo rosto da menina, lágrimas de tristeza escorregaram. A mãe envolveu-a em seus braços e sua roupa absorveu as gotas salgadas. E também o mal-estar de tal conselho.

                Semanas depois, a pequena menina recebeu de um amigo uma orquídea. Não havia aroma algum, mas era tão linda que a colocou em seu cabelo, desejando tê-la para sempre.
                Algumas horas  se passaram  e a flor já não era a mesma. As pétalas lilás perderam a vida que exibiam. Ao perceber tal desastre, a garotinha desabou em lágrimas, pois seu presente estava morrendo rápido demais. O medo tomou-lhe a alma: e se minha começasse a se extinguir da mesma maneira?
                Correu para o quarto e abraçou o presente morto da mesma forma que a mãe lhe abraçara. Tinha pena da flor e remorso por não ter cuidado mais daquilo que recebera.
                Ao chegar à escola, na manhã seguinte, relatou o ocorrido ao amigo. Ele, com um sorriso carinhoso, disse-lhe:
                - Não se preocupe! A beleza que possuía era efêmera, uma chama de vela. Trar-lhe-ei todos os dias uma nova para que não se esqueça de que o tempo também passa por nós.
              Os olhos castanhos brilharam. Havia lágrimas. Mas a alegria e um formigamento no estômago. Sua face estava rubra. Um “muito obrigado” saiu de seus lábios de forma tímida.

              Num dia de verão, abriu um caderno para admirar as orquídeas recebidas durante três anos, que guardara com zelo. Seus 18 anos estavam completos, mas aos 13 aquela pessoa que a presenteava teve que ir.
                Sentiu o rosto molhado.
                -Como eu desejo ter apenas 10 anos novamente... – sussurrou  com a voz trêmula.    
                O tempo não voltará atrás.